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5 de set de 2013

SÓ FLORES SECAS RESTARAM



Num dia de muita dor o desespero minh’alma dilacerou
E o coração no peito quase parou 
Sufocado duma infinita desilusão...
Desvairada bateu a saudade sangrando descompaixão.

Precisava de acalanto e pedi colo para o filho
Que outrora acalentara: meu velho livro de poesias!
Segurei-o com nostalgia
Nas mãos que desabafos escreveram
E agora estavam vazias.

No dia em que a dor me embargou
Orei em silêncio uma prece
E lágrimas rolaram macias. 

Meus olhos buscaram no vazio
Pelo sonho que jamais envelhece
Mas esse doce encanto
Com desilusões me vestiu...

Abri o velho livro de poesias
Lembrei os poemas de amor...
Das amizades variadas...
Também de angústias contidas...
E injustiças gritando clamores.
Traições tão deslavadas
Como um arco íris sem cores...
Alguns pretensos amigos
 - oportunistas desleais -
Cravando os seus punhais 
Como farpas de flores.

No meu livro de poesias lembrei poemas de saudade
Dalguns sonhos ideais que não foram realizados
E ficaram como cristais em porta-joias guardados
Nas gavetas da esperança...

Lembrei os amores idealizados
Que se esfumaram no ar como nuvens passageiras
E em seu tempo terminados.

As amizades flamejantes... Gritantes... Luzentes...
Algumas como estrelas com luz própria e cintilante
Outras sorrindo falsas... como estrelas cadentes
Que em oportunidades falhas 
Usaram e abusaram dum momento tênue.

Alguns amores esqueci...
Amizades falsas descartei...
As farpas eu revidei...
Mas as pétalas das flores... 
Nas páginas do velho livro,
Com muito amor eu as guardei.

* * *
Sinto no tempo que passou,
Que a saudade ficou
Com os sonhos cristalizados
Nas gavetas fechados.

Revi no meu velho livro de poesias
Aqueles amores que acabaram
As farpas que revidei
As flores que guardei
E que secaram...
Com as lágrimas que ao longo do tempo
Meus olhos inundaram...

Fechei o velho livro de poesias.
E como por encantamento
Esvaiu-se aquele dia de dor nas asas do pensamento...
E senti que as forças se renovaram
Com as flores secas que restaram...



By@ Anna D’Castro

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3 comentários:

Sonhadora (RosaMaria) disse...

Minha querida

Quando estivermos prontas para sepultar as mágoas, podemos então seguir em frente e recomeçar.
Como sempre ler-te é ler a minha alma.
Agradeço a visita carinhosa que gostei muito.

Um beijinho com carinho
Sonhadora

Anna D'Castro... disse...

Oi Rosinha querida!

Já cheguei à conclusão que é muito difícil sepultar as mágoas e deixá-las seguir na onda do esquecimento...

Eu quando escrevo tento sepultá-las um pouco no papel, por isso escrevo... para não as carregar nos ombros, pois são uma carga bem pesada...

Nós pertencemos a um povo outrora glorioso, mas que com todas as suas perdas e traições continua carregando as mágoas que não consegue se desenvencilhar e vai passando de geração em geração...

Daí o FADO ser a canção nacional e o nosso Destino segue tendencioso a carregar as mágoas que nos legaram.

Também como temos a nossa querida Florbela de permeio... ela mais que ninguém carregou as suas mágoas e nos deixou por legado nos seus magníficos poemas.

Tal como tu, sempre que leio mais um dos teus extraordinários e tristes poemas, me transporto aos meus 'desabafos de alma' como eu sempre intitulei o que escrevo...

Mas a vida nos presenteia sempre com uma nova etapa... o que importa é desabafar e a vida continuar.

Fico sempre deliciada com a tua visita e com as tuas palavras.
Sê sempre bem vinda querida.
bjs
Anna

Nádia Santos disse...

Ana querida poesias divina, meus aplausos. A nossa vida é isso, feita de amores e amizades, que vem, que vão... Uns verdadeiros outros falsosque vão deixando uns rastro em nossa vida de alegria, mas também de dor, que só o tempo ameniza dentro do nosso coração. Um beijo querida poeta maravilhosa!

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