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TRADUZA AS FLORES...


Me Sigam as Boas Flores...

4 de out. de 2013

INDIFERENTE



Quem me dera não lembrar
De abandonos cruéis e desleais
Que afundaram no meu peito
Trágicos punhais
Numa manhã fria de Novembro.

Quero não lembrar,
E, já não lembro
Que o amor de quem não me amou
Em pedra, meu coração transformou.

Esse amor foi um lago triste
Negro e profundo
E não mais quero lembrar,
Nem mais quero encontrar
Quem somente indiferença
Me legou neste mundo!

By@
Anna D'Castro
do Livro  AQUELA VOZ

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 Todos Direitos Reservados
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

26 de set. de 2013

PRIMAVERA




A noite cessou.

O sol resplandeceu.

A avezinha cantou.

A flor desabrochou.

Uma janela se abriu.

Um menino nasceu...

...acordou, olhou e sorriu...

Era Primavera!



By@
Anna D'Castro

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19 de set. de 2013

SINA



Sei que é minha sina... meu Fado... um fadário imenso...
Mas quando um novo amor bateu à minha porta
O tormento eterno adormeceu suspenso
Se entrelaçando no fulgor do infinito
Buscando a noite – companheira do seu grito
Para achar o tempo que carrega a vida
Como uma ave aturdida sendo perseguida 
Pelo pensamento molhado de palavras.

Olho o labirinto do destino carregando mágoas sem fim
A minha sina é permanecer nos confins do horizonte
Deixando o pensamento correr reflexivo breve e grande...
E mesmo que a lonjura seja monótona e pequena
Ouço o som dos meus passos solitários e saio de cena
Enquanto fito o olhar nas estrelas que não dormem
Eu e elas, nuas e sós na imensidão do universo
Trancadas com o amor no labirinto geométrico dum verso.

Quando um novo amor bateu à minha porta
O tormento eterno mergulhou sua nudez
Num lago de gotas que jorravam sangue
Buscando água nos confins da boca morta de sede
Achando um rio de saudades num corpo exangue
Enquanto delírios de luzes me deitavam na rede
E me adormeciam nos braços que habitavam meu pranto.

Mas o momento é como o mapa imaginário do tempo
Vai tecendo arrendados no rosto e na alma
Se distorcendo num sinuoso vai e vem de linhas e rugas
Como renda de bilros que nos fascina e acalma
E o amor que um dia tentara bater à minha porta
Pensou que a minha redoma era um palácio de cristal
Que outrora eu fora rainha... hoje uma mendiga quase morta...

O novo amor desistiu... me deixou com a minha sina e uma ferida aberta
E mais uma vez saio de cena fechando mais uma porta!


By@ 
Anna D’Castro

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5 de set. de 2013

SÓ FLORES SECAS RESTARAM



Num dia de muita dor o desespero minh’alma dilacerou
E o coração no peito quase parou 
Sufocado duma infinita desilusão...
Desvairada bateu a saudade sangrando descompaixão.

Precisava de acalanto e pedi colo para o filho
Que outrora acalentara: meu velho livro de poesias!
Segurei-o com nostalgia
Nas mãos que desabafos escreveram
E agora estavam vazias.

No dia em que a dor me embargou
Orei em silêncio uma prece
E lágrimas rolaram macias. 

Meus olhos buscaram no vazio
Pelo sonho que jamais envelhece
Mas esse doce encanto
Com desilusões me vestiu...

Abri o velho livro de poesias
Lembrei os poemas de amor...
Das amizades variadas...
Também de angústias contidas...
E injustiças gritando clamores.
Traições tão deslavadas
Como um arco íris sem cores...
Alguns pretensos amigos
 - oportunistas desleais -
Cravando os seus punhais 
Como farpas de flores.

No meu livro de poesias lembrei poemas de saudade
Dalguns sonhos ideais que não foram realizados
E ficaram como cristais em porta-joias guardados
Nas gavetas da esperança...

Lembrei os amores idealizados
Que se esfumaram no ar como nuvens passageiras
E em seu tempo terminados.

As amizades flamejantes... Gritantes... Luzentes...
Algumas como estrelas com luz própria e cintilante
Outras sorrindo falsas... como estrelas cadentes
Que em oportunidades falhas 
Usaram e abusaram dum momento tênue.

Alguns amores esqueci...
Amizades falsas descartei...
As farpas eu revidei...
Mas as pétalas das flores... 
Nas páginas do velho livro,
Com muito amor eu as guardei.

* * *
Sinto no tempo que passou,
Que a saudade ficou
Com os sonhos cristalizados
Nas gavetas fechados.

Revi no meu velho livro de poesias
Aqueles amores que acabaram
As farpas que revidei
As flores que guardei
E que secaram...
Com as lágrimas que ao longo do tempo
Meus olhos inundaram...

Fechei o velho livro de poesias.
E como por encantamento
Esvaiu-se aquele dia de dor nas asas do pensamento...
E senti que as forças se renovaram
Com as flores secas que restaram...



By@ Anna D’Castro

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6 de ago. de 2013

NOTURNO



Sou notívaga sim!
Morcegando o noturno
A noite vagueia suavemente
Na minha mente.
É como quem busca caminhos perdidos
E outrora desconhecidos
Que se esfumaram em passos de solidão. 

A música dum violino chora ao longe breves acordes de Chopin!

Naufragando em sonhos
Me lanço num voo às cegas
Querendo pegar réstias de flashes coloridos
Cristalizados na escuridão. 

O último boêmio trauteia uma música suave na noite calma:

“É tão calma a noite
A noite é de nós dois.
Ninguém amou assim
Nem há-de amar depois...” 

E é tão calma e suave a noite
Com seus toques de cetim!
Não há caos nem Torres de Babel

Apenas ao longe soam alguns acordes do Bolero de Ravel!

E o instante é de abandono soturno
O enleio dos acordes do violino
Navegando num mar divino
Contemplando o sonho na paz do noturno...




By@ 
Anna D’Castro

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4 de ago. de 2013

PEREGRINO DE AMOR




Por um instante só...
Vem-me ter por inteira
Nas angústias que são minhas
Vem-me fazer feiticeira
Com fantasias e sem crenças daninhas.

Por um instante só...
Vem escutar os fantasmas esvoaçantes
Terrores noturnos de criança apavorada
Despojos desumanos e vacilantes
Que assaltam meu sono na madrugada.

Por um instante só...
Vem transformar o meu destino
Vem-me estender os teus braços
Envolver o meu corpo de abraços
Vem ser apenas o meu peregrino!

Vem por um instante só...
Apenas porque o tempo é curto e esparso.
Vem por um instante só...
Ser o peregrino do amor que ao vento esgarço!

By@ 
Anna D’Castro
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28 de jul. de 2013

NATUREZA VIBRANTE







Deixa ficar comigo a Dor calada
Para que o silêncio possa vir beijá-la
E a sombra da noite queira abraçá-la
Até que acorde pela madrugada.

Ao longe soam acordes de violinos
Rasgando o silêncio da luz do luar.
Ergo uma taça com sabores cristalinos
E bebo sôfrega ao prazer de amar.

O cheiro da maresia invade a luz do sol
Borboletas azuis escurecem um raio da lua
E o resplandecer da aurora linda, breve e nua
Vibra ao nascimento de mais um girassol.

Há aromas doces alegrando jardins
Gaivotas salpicando o céu de odores
Jardineiros plantando rosas e jasmins
Espalhando no chão um arco íris de flores.

Ao nosso redor tudo tem cor e singeleza
É a mais pura ilusão de que eu preciso
Pra ver a maravilhosa e vibrante natureza
Transformar-se em lençóis de ternura do Paraíso!

By@

Anna D’Castro

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14 de jul. de 2013

SER JOVEM (II)



Ser jovem
É como ser flor em botão
Sentir a necessidade de quem lhe dê a mão
E lhe abra as portas do desvendar.
Ser jovem
É como ser ave implume
Nuvem branca abraçando o céu azul
Onda mansa acariciando a areia.
Ser jovem
É não se deixar envolver pela teia
Da petulância e da descrença.
Ser jovem
É acreditar em si com esperança
Que o Mundo Melhor se alcança.
Ser jovem
É sentir-se envolver pelo aroma de sonhos belos
Deixando-se arrastar até magnânimos castelos
Onde o seu despertar é sublime.
Ser jovem
É interessar-se por tudo o que o rodeia
É sentir a sede duma vida cheia
Saciando-se na fonte do descobrir
E sorver o perfume do próprio sentir.
Ser jovem
É ter os olhos voltados para o futuro,
Não pensando nunca encontrar um muro
Que lhe destrua a fragrância
Mas querendo matar a ignorância.
Ser jovem
É querer penetrar no infinito
Sem sequer soltar um grito
Vivendo em permanente revolta
Mas jamais aceitar a derrota.
Ser jovem
É ter a maravilhosa ânsia de viver
Não se lembrando jamais do perecer.
Ser jovem
É viver a vida com orgia
Manter sempre a alegria
Mesmo que a velhice chegue um dia!

By@ 
Anna D’Castro

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3 de mai. de 2013

ANDARILHO



Percorrendo estradas...
Trilhos e trilhas
Pelos cinco continentes...
Cruza maravilhas
Efemérides infinitas
De caminhos árduos... ardentes
Enquanto canta escritas
Com seu encanto conta desditas
E desejos incontidos
Que se escondem
Entre poéticas profecias
Passos que se entrecruzam
Apinhados de poesias!


By@
Anna D'Castro
Direitos Reservados
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8 de dez. de 2012

FLORBELA ESPANCA - A GRANDE DAMA DA POESIA



FLORBELA D'ALMA DA CONCEIÇÃO ESPANCA

NASCEU EM VILA VIÇOSA A 8 DE DEZEMBRO DE 1894

MORREU EM MATOSINHOS A 8 DE DEZEMBRO DE 1930



17 de nov. de 2012

DE OLHAR VAZIO


DE OLHAR VAZIO

Não sou saudosista
Mas tenho saudades
Quando miro o passado
Com olhar vazio
Às vezes cansado
Às vezes nostálgico
Às vezes sombrio.

Mirando o infinito
Brumoso e perdido
Calando um grito
Dentro do peito
Como náufrago esquecido
Numa ilha de lembranças
Olhando o nada
Vazio de esperanças.

By@
Anna D'Castro
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8 de abr. de 2012

ABANDONO


Para lá da montanha há um rio
Um rio de águas turvas
Onde meus sonhos se afogaram...

Para lá da montanha o sol se põe
Descobre o rio de sonhos encobertos
Querendo saber como alcançar o mar.

Sou como um rio de saudades paradas
Faminta de desejos incontidos
Como o peixe em busca de algas
Numa fonte de águas cristalinas...

Sou como um rio querendo a foz
Para poder chegar ao mar
A bordo do meu coração ferido
Quero saber como me alcançar.

Estou como frágil navio perdido
abandonado antes de conseguir chegar...


By@
Anna D'Castro

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5 de mar. de 2012

A DOR DA SAUDADE




Num oceano imenso de distantes e dolorosas lembranças
A dor da saudade me fustiga como chuva torrencial
Inundando minha alma dolorida de vãs esperanças
Despedaçando o coração contra o agreste vendaval.

O pensamento vai carregando nuvens negras
Cobrindo a terra e o céu, de passageira ilusão
Destruindo uma réstia de luz de encontro às pedras
Afundando barcos de amor que derivam na solidão.

A dor da saudade entrega a vítima à própria sorte
Deixa que se afunde na lava dum extinto vulcão
Embarga os olhos para que perca o seu norte
Fustiga agressiva como chuva gelada em pleno verão.

Dói-me a saudade... dói-me o desespero... dói-me a vida...
Dói-me a angústia dos momentos que não pude viver...
Minha boca grita o silêncio duma alma dolorida
Meus olhos pingam lágrimas de sangue... de tanto sofrer.

E mesmo ferida de morte quero doar amor e altruísmo
Apesar desta funesta desdita... corroída por longo sofrimento
Procuro encontrar nas entrelinhas do meu lirismo
Conforto para momentos angustiosos de dor e desalento...


By@
Anna D’Castro

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26 de fev. de 2012

RENÚNCIA


Tu, Mulher, que renunciaste:
- ao carinho,
- ao amor...
escuta este poema
que é pra ti.
Tu, que caminhando vais,
em busca do passado...
ou talvez do tempo!...
Mas, o passado não volta
e o tempo demora.
A ti que olhando a Noite
procuras o Sol...
- Ele existiu e te abrasou.
A ti, que renunciaste,
a ti Mulher só
eu fiz este poema,
para que te não sintas
tão só
...como coisa deitada ao chão
e que não presta!...
...como folha caída
espezinhada e varrida,
no Outono!
A ti, Mulher só,
na solidão da noite
ou na alegria do dia,
eu fiz este poema.
A ti, Mulher que renunciaste,
escuta a minha prece.
A prece de uma Mulher só...
como coisa morta,
afastada da vida,
esquecida.
Eu, como tu, renunciei:
- ao amor,
- à felicidade...
que desejava de verdade!
Mas, tu Mulher,
não estás só!
Porque eu estou contigo
e penso em ti;
e venho dizer-te
para que não renuncies,
mas antes luta.
Tens que lutar:
- pela felicidade,
- pelo Amor,
- pela vida e...
... pelo carinho, desse Alguém
que ao se afastar,
te fez desesperar
e te fez sentir também:
- Só!... Nada... Ninguém!

By@
Anna D'Castro
(D.A.Reservados)
do livro AQUELA VOZ

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19 de fev. de 2012

REVELAÇÕES



Sou como água bravia
Quando me tentam prender
Sou gaivota fugidia
Vendo o sol desaparecer.

Solto um grito lancinante
Quando a dor desatinada
Desta vida quase errante
Me transforma em quase nada.

Sorvo no ar que respiro
O néctar da bela flor
Como o êxtase dum suspiro
Num beijo puro de amor.

Sou também como água calma
Quando o ser enamorado
Entra em paz na minha alma
Num delírio apaixonado.


By@
Anna D’Castro
do livro “Revelações”

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12 de fev. de 2012

MEU CHORO... (Meu Poema em Homenagem a Whitney Houston)


'Todos irão lembrar de Whitney Houston por “I will always love you”.
Para o mundo dos esportes, principalmente dos USA, ela será lembrada como a melhor intérprete de todos os tempos, quando em 1991 interpretou magistralmente o Hino Nacional Americano num Superbowl. THE BEST.'


Estou muito triste, pois admirava muitíssimo a grande cantora, que foi Whitney Houston, as magníficas canções interpretadas na sua potente e maviosa voz... algumas poucas vezes desafinada por 'obra' da sua 'infeliz' dependência química.

Partiu a magnífica e premiadíssima artista. Partiu precocemente aos 48 anos, afogada na banheira que seria usada como terapia para o seu relaxamento antes dum grande espetáculo, e que Whitney seria uma das principais Estrelas que brilharia no mega evento... mas a estrela se apagou adormecida para sempre na àgua relaxante, com a 'ajuda' dum outro relaxante (Xanax) que algumas outras mortes célebres tem 'ajudado a acontecer'... por Ex. o motorista que dirigia o carro em que seguia a princesa Diana de Gales provocando a sua morte e do namorado multimilionáro... estava tomando Xanax...
Toda e qualquer dependência é nefasta para a saúde e vida dum cidadão e arruína famílias inteiras...

Partiu a grande DIVA para poder descansar a sua atribulada vida e cantar os 'Cânticos dos Deuses' no Paraíso do Eden.

Vai em PAZ Whitney Houston, que Deus te dê a Paz, que na terra não conseguiste e o meu Poema "MEU CHORO" é uma forma de expressar a minha tristeza pela tua partida tão precoce, quando tentavas ficar de "Bem com a Vida"...
Anna D'Castro


MEU CHORO...

Choro. Por quê?
– Choro!
Lágrimas de dor
rolando pelo amor
que se foi.
Choro. Por quê?
– Choro!
Como coisa esquecida
e que não presta.
Choro. Por quê?
– Choro!
Como folha caída
espezinhada e varrida,
no outono da vida.
Choro. Por quê?
– Choro!
Porque nada mais me resta.

By@
Anna D’Castro
In “AQUELA VOZ”


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8 de jan. de 2012

NOSTALGIA


Perco-me nas entrelinhas de labirintos sombrios
Tentando encontrar as saudades dos sonhos perdidos
No meu País de lendas infinitas e egos vazios
Que chora as mouras encantadas por guerreiros feridos.

Quantos lamentos quantas pétalas de rosas
Quanta ansiedade nas flores desabrochadas
Quantas jóias eu tive... minhas pedras preciosas!
Que se esfumaram por entre os dedos, esmagadas.

Inspiro-me na luz do sol e respiro o luar
Aspiro a natureza em violetas de esperança
Ambiciono o azul que gira no céu sem par
Como mutantes povoando mentes de criança.

Minhas asas, cavalgam num ‘Pégaso’ alvo e negro
Derrotando a Quimera com pássaros azuis
Escutando Ravel ao ritmo dum Allegro
Perdidas nas águas estagnadas dos pauis.

Visto-me de giestas floridas na madrugada
Enfeito-me de esperanças em caudais de calmaria
Entrego-me aos silêncios serenos da alvorada
No destino de lilases sorrindo à nostalgia.


By@
Anna D’Castro

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27 de dez. de 2011

BUSCANDO RESPOSTAS


Procuro achar no imo das minhas entranhas
Respostas para os silêncios e lamentos vazios
Mas as sombras negras se revoltam estranhas
Ficando aprisionadas em murmúrios sombrios.

E ficam os gritos silenciosos presos nas ilusões
Com algemas e grilhetas de elos sem prumo
Arrastando correntes de antigas paixões
Vogando à deriva por entre barcos sem rumo.

Sepultei frustrações nos ventos poentes
Carreguei as saudades nos sonhos adormecidos
Meus fantasmas vagueiam em gritos ausentes
Nas madrugadas insones de vultos perdidos.

Vagabundos passados... esses... de almas caridosas...
Juraram amor eterno à menina de sonhos carentes
Que só desejava a felicidade das pétalas de rosas
E recebeu mordaças de repressão, com ameaças estridentes.

Tento achar as respostas, mas são gélidas... frias.
A vida madrasta matou seus filhos à nascença
E a 'filha do nada' ficou de esperanças vazias
Esculpindo desejos nas lágrimas da descrença...

Choro pela vida que me foi negada e este destino incerto
Choro pela felicidade desejada e nunca conseguida
Choro pelas farpas atiradas caídas ao longo do deserto
Choro-me pelas traiçoeiras respostas dadas pela Vida.


By@
Anna D’Castro


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23 de dez. de 2011

"A PRETTY WOMAN"

PARA TODAS AS INESQUECÍVEIS E... "LINDAS MULHERES"...
JUNTO COM SEUS COMPANHEIROS INSEPARÁVEIS
E... SEUS FILHOS INSUPERÁVEIS!



QUE ESTA DATA DISSIPE TODOS OS ÓDIOS E MÁGOAS,
QUE POSSAM EXISTIR NO FUNDO DUM CORAÇÃO
QUE SÓ PRECISA DE AMOR E COMPREENSÃO
PARA SER FELIZ COMO UMA CRIANÇA
QUE O AMOR NAVEGUE EM CALMAS ÁGUAS
DA CUMPLICIDADE, DA COMPAIXÃO E DA ESPERANÇA!

F E L I Z.*.N A T A L!

Beijos

Anna D'Castro

12 de dez. de 2011

UMA LOUCA ESPERANÇA


Deus... meu mundo caiu num “derepente”
Pavorosa derrocada ocorreu dentro de mim
Me perguntei como seria daqui pra frente
Se era justo... se era certo... ou se era o fim?

Pesadelo? Sim!... Só pode ser um pesadelo
Lanças... punhais... farpas jogadas...
Num atropelo de palavras desgarradas
Me agrediram... me atingiram como um flagelo.

Deus... Estão todos loucos? Ou serei eu?
Com minha crença naquele Amor... enlouqueci!?
A cabeça rodou... Trevas cegaram... olhos de breu
O mundo girou... Tudo se apagou... e eu morri...

A morte em vida sepulta sonhos e ilusões
A morte em vida ronda o abismo do desengano
Alma vazia de sentimentos mata paixões
Voa sem rumo entre tristezas sem ter tamanho.

A solidão me acompanha no infortúnio destas horas
Rasga as trevas da noite, com seus medos e tumultos
Tanto desamor... tanta loucura... Quantas demoras...
E as lágrimas chovem agonizantes aos insultos.

Há uma loucura febril rasgando a tempestade
Quer dormir... descansar à sombra da noite fria
Minh’alma cansada flutua inerte em busca da verdade
Sonhando acordar com os clarões dum novo dia.


By@
Anna D’Castro

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8 de dez. de 2011

BIOGRAFIA E POEMA DE FLORBELA ESPANCA


Hoje, dia 8 de Dezembro de 2011, dia de Nossa Senhora da Conceição.

É o dia em que a Poesia e os Poetas comemoram os 117 anos em que nasceu em Vila Viçosa, província do Alentejo, Região Sul de Portugal, uma grandiosa poetisa da língua portuguesa: Flor Bela Espanca.
É neste dia 8 de Dezembro de 2011, que também lembramos os 81 anos da sua morte, aos 36 anos de idade, em Matosinhos, no Distrito do Porto, Região Norte de Portugal.

By@
Anna D'Castro
***
Alguma Biografia de "Flor Bela Espanca"

Florbela Espanca - Vila Viçosa, 8 de dezembro de 1894 - Matosinhos, 8 de dezembro de 1930) - batizada como Flor Bela Lobo. A sua vida, de apenas trinta e seis anos, foi plena, embora tumultuosa, inquieta e cheia de sofrimentos íntimos que a autora soube transformar em poesia da mais alta qualidade, carregada de erotização femininilidade e panteísmo.

Filha de Antónia da Conceição Lobo e de João Maria Espanca.
O seu pai herdou a profissão de sapateiro, mas passou a trabalhar como Antiquário, negociante de cabedais, desenhista, pintor, fotógrafo e cinematografista.
Foi um dos introdutores do 'Vitascópio de Edison' (um projetor de cinema, comercializado por T.A.Edison) em Portugal.

João Maria, pai de Flor Bela, era casado com Mariana do Carmo Toscano (também conhecida por Mariana do Carmo Ingleza). A esposa não pôde dar-lhe filhos. Porém, João Maria resolveu tê-los com o consentimento de Mariana – Flor Bela e Apeles (10/3/1897), dois anos mais novo – com outra mulher, Antónia da Conceição Lobo, uma jovem de condição muito humilde (tinha 16 anos quando teve Flor Bela).
Ambos os irmãos foram registados como filhos ilegítimos de pai incógnito.

João Maria Espanca criou Flor Bela na sua casa, enquanto Apeles viveu com a mãe Antónia Lobo até aos 4 anos, depois ela foi embora com outro homem e entregou o filho ao pai para que fosse criado por ele ao lado da irmã.
Mariana Ingleza, além de madrasta era a madrinha de batismo dos dois.
João Maria, nunca recusou aos filhos, apoio nem carinho paternal, mas reconheceu Florbela como a sua filha legítima, em cartório, só dezoito anos depois da morte dela... e Apeles, que morreu precocemente num acidente de avião, nunca foi registrado como filho legítimo de João Maria Espanca.

Flor Bela em 1899 vai frequentar, (precocemente aos 4 anos) a secção infantil da Escola Primária de Vila Viçosa até 1904 quando termina o exame da 3ª. classe. Foi naquele tempo que passou a assinar os seus textos como Florbela d’Alma da Conceição Espanca, ou também como 'Florbella Espanca'.

No ano letivo de 1904/1905 é matriculada, em Vila Viçosa, na 4ª classe da Escola Secundária do Professor Romeu, onde frequenta até à 6ª classe/hoje 6º ano de escolaridade, mas é reprovada no Liceu, como aluna externa.

As suas primeiras composições poéticas datam dos anos 1903 - 1904. O poema “A Vida e a Morte”, escreveu-o quando tinha apenas 8 anos de idade e se assinava: "A Auctora Florbella Espanca em 11-11-1903".

Em 1 de Fevereiro de 1904 dia do aniversáro de João Maria, Flor Bela faz um poema que dedica ao pai, com o título: "No dia d'annos"... tinha 9 anos.

Em 1907, Florbela escreveu o seu primeiro conto: “Mamã!” No ano seguinte, faleceu sua mãe, Antónia, com apenas vinte e nove anos. Florbela tinha então treze anos.

Em 1908 Flor ingressou no Liceu Masculino André de Gouveia em Évora, para fazer novamente o exame da 6ª. classe e onde permaneceu até 1912.

A sua vida escolar é turbulenta... É a única menina a frequentar um Liceu destinado essencialmente ao sexo masculino... e começa a 'namoriscar' escondida, com Alberto Moutinho aos 16 anos, em abril de 1911, (que era seu companheiro de escola desde os 10 anos) 1 ano mais tarde, em 1912, o namoro se torna oficial, mas por poucos meses, pois nesse ano, nas férias 'grandes' em Figueira da Foz, ela conhece um rapaz de nome fictício 'José', (ele não queria, na época, seu verdadeiro nome revelado) por quem se apaixona perdidamente e em Setembro começa com ele um relacionamento sentimental profundo, obrigando-a a terminar o namoro com Alberto Moutinho... Desse 'tórrido romance quase platônico' - pois é só através de correspondência - que nascem belos sonetos e poemas de amor para o seu amado.

(Na realidade se soube anos mais tarde, que seu nome verdadeiro era João Martins da Silva Marques se formou em Letras e Direito, foi assistente da faculdade de Letras e diretor da Torre do Tombo).

Quando o romance termina, 5 meses depois em Fev/1913, Florbela fica arrasada "em ruínas" como ela escreve nos seus sonetos. Tenta salvar o seu ano escolar e se agarra com: 'unhas e dentes' aos estudos, mas em Junho reprova o ano, devido aos problemas amoroso em que se envolveu.

Para 'tapar o buraco psicológico' com a perda de "José", em Julho/1913, Florbela reata o namoro com Alberto Moutinho e quer casar rapidamente. O que acontece no dia 8 de Dezembro desse mesmo ano, dia em que Florbela completa 19 anos e se casa civilmente com Alberto Moutinho que tinha completado 20 anos em 9/11/1913.

Florbela e Alberto Moutinho ficaram morando juntos/casados por 4anos e meio, tendo Florbela sofrido um aborto involuntário, o que desgastou o relacionamento.

Bela regressou a Évora, enquanto Moutinho ficou dando aulas no Algarve, mas o divórcio só saiu 7 anos depois... entretanto em 1920, ainda casada, Florbela se apaixona novamente, agora por José Marques Guimarães, alferes da G.N.R. e com ele passa a viver, até sair o divórcio em meados de 1921... casa com Marques Guimarães em Junho de 1921, estava frequentando o 2º ano de Direito, na Faculdade de Direito de Lisboa, aonde morava com o atual marido e já tinha lançado o seu 1º. livro de sonetos em 1919 - "O LIVRO DE MÁGOAS".

Em 1922, saiu o 2º livro de Sonetos "O LIVRO DE SOROR SAUDADE".

Em 1925, divorciou-se pela segunda vez. Esta situação abalou-a muito pois teria tido um segundo aborto voluntário...
Ainda em 1925, a poetisa casou com o médico Mário Pereira Lage, que conhecia desde 1921...O casamento decorreu em Matosinhos, no Distrito do Porto, onde o casal passou a morar a partir de 1926.

Em 1927 a autora principiou a sua colaboração no jornal D. Nuno de Vila Viçosa, dirigido por José Emídio Amaro. Naquele tempo não encontrava editor para a coletânea Charneca em Flor.

No mesmo ano, Apeles Espanca, o irmão da escritora, faleceu num trágico acidente de avião. A sua morte foi para Florbela realmente muito dolorosa.
Em homenagem ao irmão, Florbela escreveu o conjunto de contos de As Máscaras do Destino, volume publicado postumamente em 1931.
Entretanto, a sua doença mental agravou-se bastante. Em 1928 Bela teria tentado o suicídio pela primeira vez.

Em 1930 Florbela começou a escrever o seu Diário do Último Ano (publicado só em 1981 - 51 anos após a sua morte).

A 18 de Junho desse ano, principiou troca de correspondência com o Dr. Guido Battelli, professor italiano, visitante na Universidade de Coimbra, responsável pela publicação da Charneca em Flor em 1931.

Na mesma altura, a poetisa colaborou também na Revista Portugal Feminino de Lisboa, na revista Civilização e no jornal Primeiro de Janeiro, ambos do Porto.

Florbela tentou o suicídio por duas vezes mais, em Outubro e Novembro de 1930, na véspera da publicação da sua obra-prima, Charneca em Flor.

Após o diagnóstico de um edema pulmonar, a poetisa perdeu o resto da vontade de viver.
Não resistiu à terceira tentativa do suicídio e faleceu em Matosinhos, no dia do seu 36º aniversário, a 8 de Dezembro de 1930.
A causa da morte foi a sobredose de barbitúricos (2 frascos de Veronal).

A majestral poetisa, teria deixado uma carta confidencial com as suas últimas disposições, entre elas, o pedido de colocar no seu caixão os restos do avião pilotado por seu irmão Apelesna hora do acidente.

O corpo de FlorBela jaz, desde 17 de Maio de 1964, no cemitério de Vila Viçosa, a sua terra natal.

*********

FLORBELA ESPANCA - escreveu:
Livro de Mágoas; Livro de Soror Saudade; Charneca em Flor; Dominó Preto; As Máscaras do Destino e Diário do Último Ano.

Centenas de cartas trocadas com o Pai João Espanca e vários amigos importantes de Florbela, foram reunidas em volumes publicados postumamente, por amigos e admiradores da poetisa-maior, nascida no Alentejo há 117 anos.



ÁRVORES DO ALENTEJO

Horas mortas… Curvada aos pés do monte
A planície é um brasido… e, torturadas,
As árvores sangrentas, revoltadas,
Gritam a Deus a bênção duma fonte!

E quando, manhã alta, o sol posponte
A ouro a giesta, a arder, pelas estradas,
Esfíngicas, recortam desgrenhadas
Os trágicos perfis no horizonte!

Árvores! Corações, almas que choram,
Almas iguais à minha, almas que imploram
Em vão remédio para tanta mágoa!

Árvores! Não choreis! Olhai e vede:
- Também ando a gritar, morta de sede,
Pedindo a Deus a minha gota d´água!

Florbela Espanca

***
Nota:
Algum Material para a Biografia recolhido das seguintes fontes:
= Wikipédia... e dos Biógrafos de Flor-Bela: Rui Guedes e Agustina Bessa-Luís, minhas fontes de apoio para escrever o Espetáculo "SEMPRE VIVA... FLOR SELVAGEM...FLORBELA ESPANCA", que interpretei de 2000 a 2003.

Anna D'Castro

29 de nov. de 2011

MEMÓRIAS DE INFÂNCIA - "OS SONS DO SILÊNCIO DUM LUAR DE AGOSTO"


No aconchego da noite e ao luar de agosto
Gritavam os sons dum silêncio distante
Sufocando o coaxar das rãs, que com desgosto
Invejavam os morcegos em seu voar rasante

A madrugada vestida com suas amarras
Atava o pensamento num vogar profundo
Acompanhando o cantar garboso das cigarras
Que vibravam gritantes pelas memórias do Mundo.

O luar de agosto, como rezam lendas d’outrora
Veste a noite com um manto de estrelas cintilantes
Perfumando os ares com pétalas da aurora
Salpicando o madrigal com poemas brilhantes.

Os serões na aldeia eram ledo encanto
Na memória da menina que amava a natureza
O descamisar do milho no entoar dum canto
Quando o milho-rei despontava a sua beleza

No milharal o vento soprava toda a poesia
Em declarações de amor como pétalas de rosa
E os apaixonados se rendem à noitinha silenciosa
Trocando carícias com odores a maresia.

O tempo passa, mas a memória carrega o sentimento.
E ainda hoje recordo o eco dos teus passos
A fonte do teu riso e dos teus abraços
Como a charneca de flores em movimento.


Recordo os versos que te fiz na despedida
E a tua declaração de amor angustiosa e calma
O silêncio do pranto que desnudou a nossa alma
Com a promessa dum Amor p’ra toda a Vida.

By@
Anna D’Castro

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Sempre Viva... Flor Selvagem!

ARTE E BELEZA É COMO FLORES BAILANDO

Beijos floridos...